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Gabriel Goyanes a fazer levantamento topográfico com GPS em Crater Lake
Base Antárctica Espanhola Gabriel de Castilla, Ilha Deception
11 de Janeiro de 2011

Passámos o dia a trabalhar no nosso sítio de monitorização do permafrost do Crater Lake. É um local fantástico, com uma vista incrível sobre a caldeira de Deception (Port Foster) e o Crater Lake. Com um dia de sol como o de hoje, mesmo com  temperaturas de cerca de 2ºC e um vento cortante, as condições são as ideais para o trabalho de campo.

Saímos de manhã para a área de estudo. Comecei o dia a trabalhar no levantamento da topografia com GPS com o Gabriel e da parte da tarde, juntei-me ao Jim e ao Marc que abriam um buraco no permafrost com uma perfuradora. O trabalho foi duro porque o solo congelado é muito difícil de perfurar, mas obtivemos resultados muito interessantes e ao longo de todo o dia fomos colocando e refutando hipóteses acerca da origem de uns alinhamentos que tinhamos decidido investigar melhor nos dias anteriores. Perfurámos até cerca do 80 cm e houve momentos de verdadeiro entusiasmo, à medida que iamos descobrindo algumas características peculiares do solo, que ainda não conheciamos daquele local.

Voltámos à base às 19h00. Ao largo da base estava o navio argentino Aviso Castillo e o comandante e 6 tripulantes vieram visitar a base e foram convidados para jantar. Entretanto, antes de jantar estive de serviço no radio, pois foi necessário contactar um outro navio que tinha acabado de entrar na caldeira, o Almirante Maximiliano, do Brasil e eu servi de ligação.

Amanhã esperamos voltar a atacar o Crater Lake para acabar o levantamento topográfico de detalhe. Interessa-nos, especialmente, compreender o modo como as alterações climáticas afectam o permafrost e a estabilidade dos terrenos. Por isso, todos os anos fazemos um mapa detalhado do relevo, que vamos comparando, de modo a identificarmos processos ligados à erosão dos solos, associado à degradação do permafrost.

 


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    Gonçalo Vieira é coordenador do Grupo de Investigação em Ambientes Antárcticos do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa (CEG/IGOT-UL) e relatará neste blogue a sua experiência como responsável pela campanha PERMANTAR-2. Este projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, tem permitido a Portugal manter actividades regulares na região da Península Antárctica e a consolidar o seu papel internacional no estudo do solo permanentemente gelado (permafrost) e das consequências das alterações climáticas sobre ele.

    O PERMANTAR-2 é um projecto português que envolve parcerias com a Argentina, Brasil, Bulgária, Espanha e Estados Unidos da América.
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